João do Monte

João do Monte

Artista Plástico • Ceramista • Escultor

Nascimento 1930
Santa Cristina da Pousa • Barcelos • Portugal
Falecimento 1996
Valinhos • São Paulo (SP) • Brasil
Áreas de atuação Cerâmica • Escultura • Artes Plásticas
Legado Artista luso-brasileiro de destaque, reconhecido pela tradição ceramista, pela produção artística e pela contribuição à cultura de Valinhos.

Biografia

João do Monte, nome artístico de João Evangelista da Silva e Souza, nasceu em 1930, em Santa Cristina da Pousa, no concelho de Barcelos, em Portugal. Descendente de uma tradicional família de artistas e ceramistas portugueses, cresceu em um ambiente profundamente ligado à arte de modelar o barro. Seu avô, João Baptista de Souza, foi pioneiro na arte da cerâmica na freguesia de Pousa, onde introduziu uma das primeiras cerâmicas da região.

O nome artístico João do Monte foi adotado como homenagem ao avô, conhecido pelo apelido de "João do Monte" por trabalhar sobre um monte, produzindo telhas. A tradição familiar teve papel fundamental na formação do artista, que desde cedo aprendeu os segredos da cerâmica com seus pais e avós, convivendo ainda com nomes ligados à tradição artística portuguesa, como Francisco do Monte, Américo Baptista de Souza e o luso-brasileiro Antonio Ponteiro.

Durante sua juventude em Portugal, João do Monte dedicou-se ao trabalho com a cerâmica, atividade que exerceu até os 21 anos. Sua formação ocorreu essencialmente dentro da própria tradição familiar, aprendendo diretamente com aqueles que dominavam o ofício e desenvolvendo, desde muito cedo, uma relação profunda com a argila e com as possibilidades expressivas da matéria.

Em maio de 1951, chegou ao Brasil, instalando-se inicialmente em Piracicaba (SP), onde passou a trabalhar na Cerâmica Santa Cruz. Dois anos depois, em 1953, fixou residência em Valinhos, cidade que se tornaria sua principal referência no Brasil. No município, continuou sua atividade profissional nas Cerâmicas Manarine e Spadaccia, mantendo contato permanente com a produção cerâmica e aperfeiçoando sua experiência artística.

Em 1955, iniciou seu trabalho artístico em cerâmica própria, dando início a uma fase de maior autonomia criativa. Posteriormente, montou seu próprio ateliê, onde também construiu uma galeria destinada à exposição de seus trabalhos e à apresentação de obras de outros artistas. O espaço tornou-se um importante ponto de encontro e divulgação das artes, fortalecendo a presença da cerâmica e das manifestações artísticas na vida cultural de Valinhos.

Ao longo de sua trajetória, participou de inúmeras exposições em Valinhos, Vinhedo, Campinas, Sumaré, Jundiaí, Matão e São Paulo, incluindo participação no Museu de Arte de São Paulo. Sua produção também ultrapassou as fronteiras brasileiras, sendo apresentada em exposições em Portugal, país de origem que permaneceu como importante referência em sua formação e em sua identidade artística.

O reconhecimento de sua obra veio acompanhado de importantes premiações. Entre 1986 e 1989, foi escolhido como Artista do Ano pelo Leo Clube de Castores de Valinhos em diferentes edições. Nos anos de 1986, 1988 e 1989, recebeu também a Grande Medalha de Ouro do Salão Oficial de Belas Artes de Matão. Em 1987, conquistou o 1º Prêmio do Júri e o 2º Prêmio do Público na Casa da Cultura de Jundiaí.

Em 1989, recebeu ainda quatro medalhas oferecidas pelo Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Dr. João Machado, em reconhecimento às obras Lenda do Passarinho, Lenda do Senhor do Galo, Milagre das Cruzes e Feito do Alcaide de Faria. A homenagem reafirmou os vínculos do artista com a tradição cultural portuguesa e o reconhecimento de sua produção também em sua terra de origem.

João do Monte construiu, assim, uma trajetória marcada pela continuidade de uma tradição familiar secular e, ao mesmo tempo, pela capacidade de transformar a cerâmica em linguagem artística própria. Em suas mãos, a argila ultrapassou a condição de matéria-prima para tornar-se instrumento de expressão, memória e identidade, estabelecendo uma ponte entre a tradição portuguesa e a cultura brasileira.

Seu ateliê e sua galeria permaneceram como espaços de produção, convivência e divulgação artística. Após seu falecimento, a continuidade desse espaço passou a ser conduzida por sua filha, Jacinta do Monte, preservando parte importante da memória de sua trajetória e de sua contribuição para as artes.

A importância de João do Monte para a cultura de Valinhos foi reconhecida também pelo Clube Atlético Valinhense, que dedicou a ele a 3ª Semana de Artes "João do Monte", realizada de 13 a 20 de setembro de 1996. A homenagem destacou sua trajetória como um dos grandes artistas ligados ao clube, ao município, ao Estado de São Paulo, ao Brasil e a Portugal.

João do Monte fez da argila uma linguagem de memória e identidade. Herdeiro de uma tradição ceramista portuguesa, construiu em Valinhos uma trajetória própria, aproximando Brasil e Portugal por meio da arte e deixando um legado que permanece associado à cerâmica, à criação artística e à cultura valinhense.
MEMÓRIA DE JOÃO DO MONTE

Conheça o memorial on-line dedicado à trajetória, à obra e à memória de João do Monte. O espaço reúne registros e informações sobre o artista, preservando sua história e aproximando sua produção das novas gerações.

CONHEÇA O MEMORIAL ON-LINE
MUSEU DE ARTE JOÃO DO MONTE

Construído pelo próprio João do Monte, o espaço foi idealizado pelo artista como galeria para exposições de seus trabalhos e de outros artistas. Inaugurada em 1990, a galeria passou a funcionar como Museu de Arte em 2005 e hoje abriga a maioria das obras deixadas pelo artista.

Endereço: Rua Rui Barbosa, 130 – Centro – Valinhos (SP).
Telefone: (19) 3871-3419
Funcionamento: terça a sexta-feira, das 14h às 18h; sábados, das 9h às 13h.

O museu constitui um importante espaço de preservação da memória artística de João do Monte e integra o patrimônio cultural de Valinhos.

Academia Valinhense de Letras e Artes – AVLA

Perfil biográfico elaborado a partir de material histórico da 3ª Semana de Artes "João do Monte", realizada pelo Clube Atlético Valinhense em setembro de 1996. O material foi reunido por Dylza Zanella, em especial para AVLA, e reúne informações documentais e históricas, estando sujeito a revisão e complementação.